terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Peripécias da solidão

E é quando aqueles dois toques soam que eu sei que não ouço mais sua voz. A tela do celular apaga e quando a ligo não tem mais sua ligação, só o relógio me avisando que é madrugada e hora dos solitários, daqueles que amam e não podem estar juntos. 

Não ouvir mais sua voz é abrir um espaço no meu peito, um vazio, que ao longo da noite insiste em fechar e apertar. 

Passar a madrugada sozinha quando se ama e sente saudade não é aproveitar sua própria companhia é sentir falta de um outro alguém. 

Viver sozinha e feliz é possível sim, mas ao seu lado a madrugada não é vazia, não é sopro através da porta entre aberta. Com você a madrugada é o prólogo de histórias que contamos e vivemos constantemente. 

Eu não queria ouvir aqueles dois toques, eu queria o seu toque em mim, sua respiração ofegante ao meu ouvido, o seu peito colado no meu, queria sua mão na minha cintura, minha alma na tua. 

Ao som que a solidão produz, ao frio que a noite me traz, que a saudade não me consuma, mas que de alguma forma me conforte ao me lembrar do calor que o seu amor é capaz. 

E mesmo que eu te veja através de uma tela eu sei que não será suficiente para o vazio que sua ausência me apresenta, só sua presença pra trazer paz ao meu coração agora frio. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Aborto

É como se eu tivesse um filho chamado "mágoa" dentro de mim, socando meu estômago, apertando meu peito, me deixando sem ar

E mesmo eu colocando minha cabeça pra fora da cama, tentando e tentando eu não consigo vomitar

Eu só queria conseguir matar, dissolver, expelir, talvez até reciclar 

Essa criança que não me pertence, mas insiste de mim judiar 

Não quero que a alimentem, mas insistem em alimentar 

A mágoa que levo no peito, no estômago, a criança a empurrar 

Todas as coisas de ruim que me entregam mesmo sem eu aceitar 

Só queria nesse momento conseguir abortar 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Apenas tentando respirar para não perder o pouco de oxigênio que mantém sua sanidade

Era engraçado como todos aqueles sentimentos se confundiam, como enchia o peito, até mesmo sufocava, não de uma forma agonizante, mas da forma necessária para escorrer em lágrimas todas aquelas ondas de calor causadas pelo medo, ansiedade e desejo. 
Quantos sentimentos podiam caber em um único peito? 
Pela primeira e real vez entendia que estava apaixonada. 
Sinceramente. 
Honestamente. 
Profundamente. 
Precisava respirar fundo para entender o desespero de estar entrando em uma estrada sem volta. 
Conhecia os riscos. 
Tão estranho a aquele coração escondido que sentia como se fosse a primeira vez. 
Assustador como tudo isso tomava conta daquele pequeno peito, apertava. 
Lembrava das loucuras que fez outrora e agora se dava conta da dimensão de todas suas atitudes. 
O coração batia num ritmo acelerado. Assim como a primeira vez. 
Era a primeira vez. 
Pensava que tinha perdido o jeito para tal coisa, quanto mais pensava mais perdida ficava. 
Sentimento é reciprocidade. 
E se não for? 
E agora? 
Será? 
Já era. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

E parada ali, olhando para o nada, numa sala vazia de uma casa vazia, um ventilador a girar e o pensamento longe. Me pego pensando na minha mãe biológica e me indago quantas vezes ela não esteve assim? 
Também sentada, arrumada, com o cheiro de perfume ainda pairando no ar, esperando alguém na esperança de uma noite divertida, regada a álcool e quem sabe com uma boa foda no final. 
Será que eu sou tão diferente dela? 
Ou só trilho os mesmos caminhos só que maquiados? 

domingo, 21 de agosto de 2016

Superando

As pessoas estão sempre rodando, talvez sem rumo nenhum. Procurando um lugar ao miando, sem nenhuma pretensão alguma. 
Veem os outros vivendo, sentem inveja e tentem viver mais que outra alguém. 
Estamos numa eterna competição. Quem é melhor que ninguém? 
Estamos submersos nessas necessidade de sermos maiores que somos. Vivendo achando que existimos, mas não somos maiores do que pensamos. 
Na eterna necessidade de nos superarmos, vivemos uma vida para os outros, sem pensarmos no que queremos de verdade. 

Prazo de validade

Dois finais de semana!
Esse é meu prazo de validade. 
Isso é o que eu duro na vida das pessoas. 
4/7 dias.
Isso é o quanto permaneço, depois eu vou embora. 
Não sei se deixo muito, não sei se deixo nem saudades. 
Não sei se sou levada a sério, não sei o que me torno, talvez só mera lembrança. 
Dois finais de semanas, é o suficiente para ninguém me aguentar. É o suficiente para me expulsarem, para dizer que "não deu". 
Dois finais de semana. 
É o meu adeus. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tem lugar que a gente chega, se sente bem, sente que é bem-vinda, mas nem tanto. 
Tem lugar que tá tudo certo nele, não tem nada demais. 
Mas de alguma forma a gente sabe que não deve ficar nesse lugar. 
Normal por normal, tudo certo por tudo certo a gente acaba ficando no nosso canto, porque o que a gente precisa mesmo é de emoção.