terça-feira, 20 de maio de 2014

Fechar os olhos

Sentada em um banco de uma universidade, sozinha e todos passando apressados para suas vidas corriqueiras.
A noite, ventando, tão bom.
Com os fones de ouvido, uma música boa.
O coração repleto de saudade.
A mente uma viagem.
Coisas a serem vistas, mas era preferível deixar a saudade entrar, tomar de conta e sentada permanecer.
Era preferível imaginar que alguém que por ali passasse pudesse ser você, apenas em uma tentativa de acalmar os ânimos de um coração embriagado de saudades. 
Preferível também era lembrar do seu cheiro, lembrar do seu beijo, lembrar de você por inteiro e desejar te ter o quanto antes.
E por assim sendo maior que tudo a saudade, fechou os olhos e se deliciou na lembrança do cheiro do teu corpo. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

I stand up with you forever

Chegou um momento da minha vida que eu percebi que não teria ninguém por mim além de mim mesma.
Aquele momento eu sabia que todo o amor que eu perdi por esses anos por mais que eu tentasse recuperar no hoje e no amanhã ele não voltaria para mim.
E que quando me abrissem, quando me deixassem nua, seria perceptível todas as feridas, todas as cicatrizes e para alguém que tem quelóide talvez elas fossem bem visíveis. 
Não importa o quanto eu tentasse recuperar o que eu perdi no passado, nada disso voltaria. É como se eu estivesse quebrada e isso não pudesse ser consertado.
Não importa o quão boa você é com alguém, esse alguém sempre vai achar um jeito de te magoar da pior forma.
Não importa o quanto você é gentil, o quanto você é dedicada, nunca vai ser o suficiente para quem te olha com olhos sujos.
Não importa o quanto você tente se recuperar dessas feridas, tente escondê-las, dias e noites vêm e vão, elas vão doer em alguma circunstância. 
Acho que eu sou marcada para sempre por todas as dores que passei.
E eu tenho que aprender a não me apoiar em ninguém, porque eu sei que não é forte o suficiente para me segurar além de mim mesma. 
Para alguém que tentou ser morta até mesmo dentro da barriga da mãe, a morte não me parece algo que venha de uma vez e assim seja eterno. Ela parece mais como algo que eu sinto todos os dias, todos os dias de tristeza e dores.
O prazer que ela tem me deixar assim, é o mesmo prazer que eu tenho em sobreviver mais um dia a ela.
Estamos sozinhos, tudo o que nos resta é a solidão.
Por mais que você esteja por alguém, nunca espere que esse alguém esteja por você.
Quando você tirar sua roupa e poder ver suas cicatrizes, pelo menos você sobreviveu. 
Por diversas vezes me disseram que eu era um anjo. Às vezes eu penso se com isso me vem um fardo de dores, se anjos também sofrem assim, se eu teria outra escolha.
Porque eu sei quem eu sou. 
Eu sou aquela que sofre sozinha, que se ama e se odeia sozinha.
Eu sou aquela que prefiro me machucar do que machucar os outros.
Parece que quando eu fico comigo mesma eu consigo ver quem eu realmente sou, todas as dores, tudo o que não volta mais, e parece que o mundo que eu tento criar para disfarçar minha solidão despenca.
É difícil ver o mundo como vejo agora, mas pelo menos é real.
Eu posso assegurar que dói. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Então vem

O ar condicionado aos 17 graus, o quarto bem gelado, uma TV ligada, passando qualquer coisa, ligada no mudo. 
Eu deitada com um short folgado e fino, uma blusa folgada e fina sem roupas íntimas, deitada na cama, esperando por você. 
Você chega com nossos copos d'água, só de cueca.
Deita do meu lado, está muito frio, me agarrando bem forte.
Nos cobrimos com o meu edredon tão fofo e parecido com pêlos de cachorro como você diz, nós agarramos bem muito, bem encaxaidinho, bem gostoso.
Você me diz o quanto eu sou linda, eu te digo o quanto você é bobo. 
Você me olha sério, e me beija bem gostoso, me agarra com força, faz meu coração acelerar. 
Então a gente se acerta assim, se aceita assim, se encaixa assim, se ama assim.
A gente se esconde debaixo das cobertas feito duas crianças, brinca de cócegas, brinca de se amar.
A gente se ama, sem demora. 
A gente se ama até suspirar. 
E então a gente dorme juntinho, eu deixando seu braço dormente, você escondendo suas partes íntimas na minha bunda, tirou até a cueca, só para poder se esquentar. 
Então a gente sonha agarradinho, e não se larga por nada, só se deixa amar. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Querido, fica bem.

Querido, eu já sinto dor demais.
Eu já tenho meus próprio câncer. 
Eu já tenho uma parte do meu corpo necrosado.
Eu já tenho as feridas.
Eu já tenho a cara inchada.
Eu já tenho o lábio rachado.
O mais importante: eu já tenho o coração partido.
Querido, não sofra, não fique assim por bobagem.
De que valeria toda a minha dor, todo o meu sofrimento se não fosse para te ver bem?
Querido, não chore, não se doa assim.
Querido, eu já sofro por nós dois.
Querido, se alguém tem de ir embora sou eu, se alguém tem de morrer sou eu.
Querido, eu já me sacrifiquei tanto por você, não faça minha dor sem em vão.
Querido, não quero te ver triste, não fique assim.
Eu tomo suas dores para mim, devolvo teu sono, teu sossego e tu fica bem.
Querido, você não precisa passar por nada disso.
Vem cá, deixa isso de ruim comigo, deita um pouco e dorme sossegado, pois todo o sossego que eu tinha eu te doei. 
Por mais que eu esteja assim, ainda posso te fazer um carinho.
Fica bem, querido. A dor é só para quem já tem, esquece disso. Fica bem. 

Conforto

Toda vez que eu discutia com ele eu tinha vontade de atirar na minha cabeça, de enfiar uma bala no meu peito, ou qualquer coisa desse tipo. 
Como as pessoas podem ser tão idiotas?
Como elas podem brigar assim?
A verdade é que quando o mal me vem, eu não consigo descontar em ninguém, eu não quero machucar ninguém. Eu só tenho vontade de machucar a mim mesma.
E se machucar fisicamente, ter hematomas no corpo, fazer algo contra si, é como as cicatrizes da infância que nos lembram de algo que nos aconteceu. Pois eu sei que quando eu sentir meus pulsos doendo amanhã ou depois são lembranças de toda a dor que eu senti por dentro, a dor que eu prefiria que fosse externa, a dor externa que doia menos do que todos aqueles vidros cortando meu coração.
Eu sei que depois as marcas dos cortes vão me lembrar que mais vale sangrar, e deixar o sangue levar as coisas ruins, do que morrer de uma hemorragia interna de dor. 
Se machucar externamente é tentar se confortar da agonia, da cachoeira de coisas ruins que você sente por dentro.
Se machucar externamente é uma tentativa de abortar o sofrimento.
E seja uma briga com ele, com quem for, seja a dor que eu vá sentir, magoe tanto que o meu coração poder e não poder ser magoado, eu vou ter minhas defesas pessoais, pois a dor externa é o único conforto que eu tenho. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Poucas palavras sobre tudo

Amor é quando você deixa a pessoa livre.
Amor é quando você renuncia suas vontades, quando você prefere se ferir do que atrapalhar a vida do outro.
Amor é contraditório, 
Ao mesmo que você deseja a liberdade do outro, que até você mesmo se sente livre, você está preso as dores que as renúncias te causam. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Rasgando-se

Mais uma noite de solidão.
Mais uma noite que meu coração dói.
Dói por ele mesmo, dói porque ele se culpa, porque ele sofre por ser ele mesmo.
Mais uma noite em que eu me desmancho em lágrimas.
Uma daquelas noites que você tira a roupa, rasga a pele, se rasga em lágrimas.
Aquela noite em que você se lava, em que você está em carna viva e joga vinagre por cima.
Aquela noite em que você está trocando de pele, rasgões, sangue descendo, e você joga sal em cima.
Noite de tirar as impurezas de si.
Noite de sofrer pelas coisas que sente e por se rasgar quando não pôde.
Noite de solidão, noite de arranhão.